"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Lixo Extraordinário

Um filme surpreendente, sensível, comovente.
Poderia, na minha opinião, chamar-se “Possibilidades”.
Somos seres de possibilidade, precisamos nos permitir ver, exercitar o olhar para o outro e perceber que além do aparente material (como em uma tela) existe histórias, vidas. Vik Muniz nos proporciona uma série de entendimentos, naturalmente colocados para quem estiver atento e afinado com a mensagem que aquele povo nos fala, grita e por fim, faz arte.
Uma idéia que, me parece, começa simples, despretenciosa, alheia ao humano. Apenas um cenário não usado pela arte da fotografia, pelas artes plásticas. Fotografar e criar em cima do lixo, do fim da linha. Mas somos todos surpreendidos por um excesso de “gente”, que sente, que ri, que sofre intensamente. Alguns se permitem tocar e passam a fazer parte de um projeto que mudaria para sempre suas vidas, tornam-se personagens principais e não meros coadjuvantes de uma obra, vista pelo mundo. Retomam a dignidade perdida e já podem mostrar ao mundo que existem e que se orgulham do que são.

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