"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A psicologia newtoniana

Reflexão - A psicologia newtoniana

Capra no livro “O Ponto de Mutação” nos convida habilmente a fazer uma reflexão sobre os caminhos percorridos pela psicologia na sua “luta” para tornar-se ciência. Estabeleceu-se, assim, o paradigma newtoniano-cartesiano, onde a mesma se firmou, idealizando uma visão de mundo mecânica, determinista e reducionista.
Começamos na esteira de Descartes, que sugeriu diferentes métodos para estudar o corpo e a alma, sendo esta última estudada pelo método introspectivo, enquanto o corpo pelos métodos da ciência natural. A psicologia não seguiu sua sugestão e surgem duas escolas: a estruturalista e a behaviorista. Uma centrada na análise da consciência pela introspecção e a outra no comportamento. Ambas incorporando os conceitos mecanicistas de Newton.
Pouco depois surge a psicanálise, também dentro de uma perspectiva newtoniana, dedica-se ao estudo do inconsciente.
A atualidade nos impõe novos desafios, a idéia de uma nova realidade baseada na inter-relação e interdependência de todos os fenômenos, sejam físicos, biológicos, psicológicos, sociais ou culturais. Segundo Capra, é uma nova instituição que está para surgir, não existindo ainda hoje, uma estrutura que de conta do novo paradigma: uma abordagem holística, compatível com a nova física e com a concepção sistêmica dos organismos vivos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Reflexão sobre o Filme "O Ponto de Mutação"

O Ponto de Mutação - ponto constante que serve de referencial à mudança. Sem ele tudo se dissolveria em um movimento caótico. Onde está o nosso???
Ele precisa ser estabelecido, o que nos exige a cada momento uma opção e uma decisão, que determina o ponto de referência. Nos encontramos desde o despertar da nossa consciência inseridos em sistemas já estabelecidos de relacionamentos, que por serem tão poderosos, tendem a prevalecer. A questão está em escolher seu próprio ponto de referência e que este coincida com o ponto de referência cósmico (“evoluímos com o Planeta”). E assim, talvez possamos evitar que o mundo criado por nossa própria decisão se destrua ao entrar em conflito com estruturas de relacionamento dominantes. Para isso precisamos estar convictos de que o mundo é um sistema de referências integradas: o cosmos e não o caos.
A vida é relacional, vivemos em relação como uma grande teia. Os acontecimentos se interligam e essa consciência é necessária. Nossos atos não se esgotam em nós.
Jogar um papel no chão pode ter ligação com a bomba atômica, por exemplo. Parece estranho, não? Mas pode tratar-se de um simples sentimento de impotência, onde um papel a mais no chão não fará a menor diferença diante da eminente ameaça da bomba, que pode dizimar a todos nós em instantes.
A holística teoria dos sistemas, pensa o sistema como um todo, uma renúncia a visão cartesiana e cientificista que nos assolou por tanto tempo, nos levando a perder a natureza das coisas. Somos seres interdependentes: dependemos e vivemos uns para os outros. Seres auto-organizáveis, ou seja, nos renovamos sistematicamente para sobreviver e auto-transcendentes, uma tendência natural a transformar-se, criar novas formas.
A criatividade é o que move a evolução, muito mais do que a adaptação ao meio ambiente. Nos transformamos juntos!
Mas ainda somos estrangeiros...afastados do ambiente que carregamos dentro de nós. O que será mais complexo: perceber o sistema ou perceber a nós mesmos?
Estaremos prontos para perceber a menor parte, para nos relacionarmos com nosso pequeno mundo? Conseguimos perceber a pessoa como de fato é, com suas fraquezas, defeitos e qualidades? Este talvez seja o desafio inicial.