"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Lixo Extraordinário

Um filme surpreendente, sensível, comovente.
Poderia, na minha opinião, chamar-se “Possibilidades”.
Somos seres de possibilidade, precisamos nos permitir ver, exercitar o olhar para o outro e perceber que além do aparente material (como em uma tela) existe histórias, vidas. Vik Muniz nos proporciona uma série de entendimentos, naturalmente colocados para quem estiver atento e afinado com a mensagem que aquele povo nos fala, grita e por fim, faz arte.
Uma idéia que, me parece, começa simples, despretenciosa, alheia ao humano. Apenas um cenário não usado pela arte da fotografia, pelas artes plásticas. Fotografar e criar em cima do lixo, do fim da linha. Mas somos todos surpreendidos por um excesso de “gente”, que sente, que ri, que sofre intensamente. Alguns se permitem tocar e passam a fazer parte de um projeto que mudaria para sempre suas vidas, tornam-se personagens principais e não meros coadjuvantes de uma obra, vista pelo mundo. Retomam a dignidade perdida e já podem mostrar ao mundo que existem e que se orgulham do que são.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sociedade de Consumidores - Reflexão

Reflexão - livro “Vida para Consumo” - Bauman, Zygmunt.
Capítulo 2 – Sociedade de Consumidores

Temos aqui uma descrição da passagem da sociedade dos produtores para a sociedade de consumo e os impactos produzidos pela pós-modernidade neste dito consumo.
Saímos de uma sociedade onde o valor estava na produção, ocupávamo-nos da administração de corpos, para que pudéssemos viver e agir no nosso habitat, ou seja, a fábrica ou o campo de batalhas. Pretensamente evoluímos para uma sociedade que promove e reforça um estilo de vida voltado ao consumo e isso é condicional. Nos ocupamos da administração do espírito, exercendo sobre o indivíduo uma pressão, desde sua infância e ao longo de sua vida, nosso habitat passa a ser o shopping center e as ruas onde expomos o que compramos e assim valorizamos os produtos aos olhos do público.
Fomos transformados em consumidores e em produto a ser consumido, ou seja, Bauman conceitua que o objetivo crucial do consumo na sociedade de consumidores não é a satisfação das necessidades ou desejos, e sim a elevação da condição de consumidor à de mercadoria vendável. Para isso precisamos ser atuais, adaptáveis, treinados e valiosos, só assim seremos mercadorias “de demanda”. Ser objeto de consumo torna-se condição para tornar-se sujeito.
Assim, a valorização do corpo e a cultura imediatista impera sob o medo de tornar-se desprezível e posto à margem da sociedade. Esse medo, transpõe a razão dos indivíduos que tudo fazem para livrar-se do mal-estar.
Interessante perceber como o status da liberdade individual se modificou: antigamente desejávamos a chance de momentos de liberdade individual, tão regrada era a vida diária. Atualmente buscamos nos desprender justamente do fardo e angústia da individualidade, buscando atividades em grupo. Porém, as alternativas de escape devem ser controladas, ou seja, devem ter hora marcada para terminar. Queremos mas não suportamos por tanto tempo o grupo, precisamos nos certificar a todo tempo, que somos um EU conciso e privilegiado.
Breve conclusão:
Imersos nesta sociedade capitalista, que investe incessantemente em nosso desejo, devemos encontrar formas de resistências sutis, que nos levem a outros cenários onde não sejamos tão subordinados e ausentes da vida.
Nosso objetivo deverá ser oferecer aos indivíduos, nossos pacientes, outras metas, outras iniciativas capazes de mobilizar paixões diferentes daquela do consumo, para que ele não tenha um efeito devastador sobre a nossa natureza.