"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Breve Relato do Instante...

Comecei o final de semana imbuída no desejo de escrever um texto encomendado... Relatar um momento, uma passagem, qualquer experiência que nos fizesse perceber alguns conceitos, nos quais tenho pensado muito nos últimos tempos, entre eles: o tempo do aqui e agora e a preponderância de como sobre o porquê.

Estava estéril, nada de mim saia.

Foi então que esbarrei no blog de uma amiga querida, de quem sinto muita falta e ali estava, um pouco de nossas vidas, de quem éramos e do que somos e estamos, agora.

Me sinto cansada, um pouco desconectada de mim. Percebo isso, quando coisas ou acontecimentos antes tão significativos passam despercebidos, sem muita importância. As comemorações tornam-se mornas...Me vejo então tomada por muitas responsabilidades, horários, cobranças e muita pressão, essa rotina de trabalhador autônomo que nunca pára. Nada parecido com os filmes americanos, nada de glamour.
Meu escritório é em casa, aqui trabalho, estudo, vivo e crio meu filho. Onde fica o aqui e o agora? Não há, é pura mistura, um ritmo incessante, onde todos os pensamentos, vozes, barulhos se atravessam. E assim me percebi, muito mais envolvida com o meio do que comigo, a ponto de nem mais me reconhecer. Tudo isso foi importante nos primeiros anos do Leo, me permitiu estar por perto, acompanhar seu desenvolvimento, isso não tem preço, mas ao mesmo tempo fez tudo se confundir. Percebo que já é hora de romper, de dividir os espaços, de exercitar o contato comigo, outra vez.
Veja, fácil cair na armadilha do por quê!! E de que adianta buscar explicações? Quero mesmo ir em busca do COMO: como me sinto, como gosto de ver o mundo, como gosto de viver, de amar, de estudar, de trabalhar. Uma coisa ligada à outra, impossível responder o “como” quando não consigo estar conectada no “aqui e agora”, claro, como se entender no meio de tanta confusão?

Me conscientizo do momento que passo e passa, da vontade e necessidade de me conectar (o si mesmo), me permitir viver integralmente, percebendo o quanto o meio me atravessa. A consciência do desejo de vida, de liberdade! Tomar consciência e abandonar os porquês provoca mudanças.

Um universo se abre e nessas leituras entendo que preciso voltar a me olhar. Parar de correr como cachorro atrás do próprio rabo, largar as infinitas listas de compromissos e visitar os amigos, tomar café com bolo, caminhar por nada, deixar o carro na garagem, me perder e ganhar tempo, passar tardes comigo mesma, esquecer, dormir até tarde, namorar, almoçar e jantar...

Dar de cara comigo e saber que vale a pena!!!

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